FLUMINENSE BATE O RECORDE DE VENDA EM 2018 MAIS NÃO TEM DINHEIRO CONFIRA ESSA MATÉRIA.

E o dinheiro das vendas? Bloqueios e penhoras somam pelo menos R$ 33 milhões no Fluminense.

Tricolor convive com determinações da Justiça em 2018, que comprometem receitas e aumentam as dificuldades, como o atraso no pagamento salarial de funcionários e jogadores.

Com a recente venda de Ibañez ao Atalanta, o Fluminense chegou ao número de seis atletas negociados na atual janela de transferências. As negociações ainda de Ayrton Lucas, João Pedro, Sornoza, Richard e Léo Pelé movimentaram R$ 75,8 milhões, mas o valor está longe de ser o depositado na conta tricolor.

Descontado o percentual de parceiros, de dívidas com empresários e pendências com outros clubes, algo feito no ato das transações, a soma caiu para R$ 37,9 milhões (sem o desconto de impostos, taxas e comissões), de acordo com levantamento do GloboEsporte.com

(veja ao final da reportagem). Mas houve mais descontos: bloqueio de receitas e penhoras judiciais na conta tricolor totalizaram pelo menos R$ 33 milhões em 2018, o que mostra como as transações de atletas servem prioritariamente para pagar contas do passado nas Laranjeiras.

Os R$ 33 milhões são referentes a duas situações em 2018:

R$ 25 milhões, fruto do bloqueio de 15% de toda e qualquer receita do Fluminense, determinado pela Justiça, à pedido da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) por conta de uma execução fiscal de 2013, época em que o ex-presidente Peter Siemsen não cumpriu decisão que penhorou o dinheiro da venda de Wellington Nem para o recolhimentos de impostos em atraso.
R$ 8 milhões, resultado de cerca de 20 penhoras motivadas por ações trabalhistas de ex-jogadores e ex-funcionários e cíveis de empresários e fornecedores.

Além disso, o clube tem outras obrigações de renegociação de dívidas, que consomem mensalmente quantias importantes de dinheiro. São uma trabalhista e duas de dívidas fiscais:

Ato Trabalhista: R$ 1,2 milhão.
Profut (Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro) e Pert (Programa Especial de Regularização Tributária): R$ 700 mil.
É aquela lógica: com tantos bloqueios e penhoras, é preciso vender para gerar receita. Porém, mesmo assim, ainda há atrasos nos vencimentos de funcionários e atletas, cuja folha é de aproximadamente R$ 4 milhões:

CLT: dezembro, 13º e férias referentes a 2018 e janeiro referente a 2019.
Direitos de imagem: novembro e dezembro de 2018 e janeiro de 2019.
Uma solução é buscar novas receitas
De acordo com Eduardo Paez, o Fluminense conseguiu se reestruturar a ponto de, entre receita e despesa, “ficar no azul por pouco ou por pouco no vermelho”. O problema, alegou o dirigente, é o passado. A solução passa por cumprir os acordos para evitar juros e penhoras e aumentar receitas.

  • A atual asfixia financeira é decorrente dos passivos do passado, que a gente vai honrar. Esses passivos geraram as penhoras. Estamos trabalhando com outras áreas do clube para alavancar receitas com patrocinadores, parcerias e o Sócio Futebol. Temos de reduzir custos de forma consciente. Por exemplo: no futebol não se pode baixar mais, afinal, gera prejuízo ao time e, se ocorrer um eventual descenso, perderíamos muita receita.

Paez revelou ainda que o clube está perto de se livrar da penhora de 15% das receitas. Há uma discussão na Justiça para saber se o Tricolor pagou tudo o que devia neste processo – a soma chega a R$ 35 milhões bloqueados. Além disso, afirmou que, apesar de alguns atrasos pontuais, o pagamento de impostos, do Pert e do Ato Trabalhista estão em dia. Quanto ao Profut, o dirigente informou que o atraso está dentro do máximo permitido por lei, um limite de três meses (veja o que diz o artigo 16 abaixo).

Em recente despacho no caso da penhora de 15% as receitas, datado de 17 de dezembro, o ministro Sergio Kurina, relator do processo no Superior Tribunal de Justiça, analisou um pedido no qual o clube pedia liberação para usar verbas bloqueadas para pagar os atrasados meses de setembro, outubro, novembro e dezembro de 2018 do Ato Trabalhista. Além disso, usaria a verba para quitar os meses de agosto e setembro (vencidas) e outubro e novembro (por vencer) do Profut. Ou seja: fez uma confissão dos atrasos à época. O não pagamento pode determinar a exclusão do clube desses programas.

As principais vendas da gestão Pedro Abad
*Todas as vendas têm incidência de IOF (0,38%), taxas 1% da Federação das Associações de Atletas Profissionais (FAAP) e da Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf) e comissão de empresário, que no Fluminense varia entre 6% a 10%. Os valores apresentados abaixo não têm esses descontos, à exceção de Wendel e Henrique Dourado.

Na atual janela…
Ibañez
Na venda mais recente feita pelo clube das Laranjeiras, o zagueiro fez o italiano Atalanta desembolsar 4 milhões de euros (R$ 17,2 milhões). Por ter 70% dos direitos, o Tricolor receberia R$ 12,04 milhões. Porém… foi feito um acordo com o PRS, time gaúcho que revelou Ibañez, e que cobrava R$ 389.483,88 atrasados do clube carioca. Houve esse desconto. Então, sobraram R$ 11,6 milhões (67,4 % do valor original).

Ayrton Lucas
Foi negociado com o Spartak Moscou, da Rússia, por 7 milhões de euros (R$ 30,5 milhões). Por ter 50% dos direitos econômicos, o Tricolor recebeu 3,5 milhões de euros (R$ 15,3 milhões). Mas há um detalhe: descontou R$ 5 milhões antecipados por Carlos Leite, empresário do lateral-esquerdo. Então, entraram na contra tricolor R$ 10,3 milhões, o equivalente a 33,7% do valor total.

João Pedro
Promessa das categorias de base, o atacante foi comprado pelo inglês Watford por 10 milhões de euros (R$ 44,6 milhões). O Flu tem 100% dos direitos, mas o pagamento é escalonado e depende de bônus. Por ora, recebeu apenas a primeira parcela, de 2,5 milhões de euros (R$ 11,1 milhões), ou seja, 25% do valor total – foi esse valor que o GloboEsporte.com usou para o levantamento, afinal, o restante é condicionado. Há a seguinte previsão: quatro bônus de 1 milhão de euros pelo desempenho no Flu; um bônus de 1,5 milhões de euros ao obter a licença para jogar na Premier League; dois bônus de 1 milhão de euros pelo desempenho no Watford.

Richard
O Corinthians pagou R$ 4 milhões pelo volante. Desde que o comprou do Atibaia, o Fluminense não divulgou o percentual adquirido. A totalidade do valor foi usada para abater uma dívida com o empresário Giuliano Bertolucci.
Sornoza
O Corinthians desembolsou R$ 10 milhões pelo meia. Deste valor, o Fluminense teria direito a 60%, ou seja, R$ 6 milhões. Mas se comprometeu a usar o dinheiro para quitar a dívida que ainda tinha com o Independiente del Valle da época da contratação do equatoriano: US$ 700 mil (R$ 2,6 milhões). Entraram efetivamente R$ 3,4 milhões, pouco mais de 30% do total.

Léo Pelé
Ao se destacar no empréstimo no Bahia, o lateral-esquerdo interessou o São Paulo, que pagou R$ 3 milhões. O Fluminense tinha 50% dos direitos, ou seja, recebeu R$ 1,5 milhão.

Antes da atual janela…
Gustavo Scarpa
Para encerrar a disputa judicial, Fluminense e Palmeiras acordaram que o time paulista pagaria 1,5 milhão de euros (R$ 6,7 milhões) ao carioca. Esse valor seria pelos 40% dos direitos pertencentes ao Flu. A empresa Nato & Zola Sports Agency bloqueou na Justiça R$ 920.529,39, referente a uma dívida pela intermediação na contratação do meia Marquinho, em 2016, da Udinese. O devido era R$ 700 mil, porém, subiu por conta de multa e juros. Ou seja: sobraram R$ 5.779.470,61 ao Tricolor ou 85% do montante original.

Douglas
O Corinthians aceitou pagar R$ 4,6 milhões pelos 63% dos direitos pertencentes ao Fluminense. Na negociação, ainda pagou 50% dos salários de Junior Dutra, que foi emprestado ao Tricolor.

Luan Peres
Jogador estava emprestado ao Fluminense pelo Ituano. Por liberar antes do término do contrato, o Tricolor recebeu 500 mil euros (R$ 2,1 milhões).

Wendel
O Sporting comprou a promessa tricolor por 7,5 milhões de euros (R$ 29,1 milhões). Na época, o Fluminense tinha 90% dos direitos, ou seja, R$ 26,1 milhões. O balanço financeiro registrou a entrada de R$ 24,03 milhões, aproximadamente 80% do montante original – já descontado o IOF e as taxas da FAAP e Fenapaf. A diferença se deve ao repasse de uma parte ao homem que levou o volante para Xerém. Na prorrogação de contrato anterior à venda, ele pediu sua parte a título de ”comissionamento exclusivo”.

Henrique Dourado
O Fluminense vendeu 50% dos direitos do centroavante que detinha por R$ 8 milhões, valor registrado no balanço financeiro do clube, já descontado o IOF e as taxas da FAAP e Fenapaf.

Richarlison
O atacante foi vendido ao inglês Watford na seguinte combinação, de acordo com informações do balanço financeiro: 6,25 milhões de euros (R$ 23 milhões) no ato da venda e 6,25 milhões de euros (R$ 23 milhões) em 5/08/2018, um total de R$ 46 milhões. O Fluminense tinha 50% dos direitos, então, teria direito a receber R$ 23 milhões. Em setembro de 2017, formalizou antecipação da segunda parcela no fundo inglês Star Fund GP S.a.r.l.. O antecipado, descontados os juros, resultou em 5,98 milhões de euros (R$ 22,2 milhões). Tanto o América-MG (R$ 7,2 milhões) quanto o Real Noroeste (R$ 10,5 milhões) reclamam na Justiça a falta de repasse de percentuais que julgam ter direito.

Créditos ao GLOBOESPORTE.COM

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